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Ana Irene Rodrigues é saxofonista e docente, com um percurso dedicado à interpretação, ao ensino e à valorização do saxofone. Nascida na Venezuela, em 1986, mudou-se para a ilha da Madeira aos cinco anos de idade, onde iniciou a sua formação musical e desenvolveu uma carreira marcada pela articulação entre a prática artística, a pedagogia e a criação de projetos de formação e intercâmbio.

Iniciou os estudos de piano aos dez anos, na então Extensão de Machico do Conservatório – Escola Profissional de Música da Madeira. Aos doze anos iniciou o estudo do saxofone sob a orientação do Professor Duarte Basílio, instrumento ao qual viria a dedicar o seu percurso profissional. Concluiu o Curso Profissional de Instrumentista em 2004, tendo realizado, durante esse período, um estágio na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, no Porto, onde trabalhou com os Professores Manuel Silva e Henk van Twillert.

Prosseguiu a sua formação no Conservatorium van Amsterdam (Amsterdam University of the Arts), onde concluiu a Licenciatura em Saxofone em 2010, sob orientação dos Professores Henk van Twillert e Arno Bornkamp. Durante a licenciatura frequentou o programa ERASMUS no Conservatorio di Musica Giuseppe Verdi, em Milão, onde estudou com o Professor Mario Marzi.

Em 2016 concluiu o Mestrado em Ensino da Música – Saxofone e Classe de Conjunto, na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, sob orientação do Professor Carlos Canhoto.

Ao longo da sua formação artística participou em numerosas masterclasses e ações de aperfeiçoamento com alguns dos mais reconhecidos saxofonistas e pedagogos internacionais, entre os quais Jean-Marie Londeix, Claude Delangle, Vincent David, Jean-Denis Michat, Jean-Yves Fourmeau, Nicolas Prost, Fernando Ramos, Francisco Martínez, Branford Marsalis, João Pedro Silva, Otis Murphy, Kenneth Tse, Gilberto Bernardes, Gil Meijering e Tjako van Schie, entre outros.

Enquanto intérprete, desenvolveu uma intensa atividade na área da música de câmara, integrando diversos agrupamentos e projetos artísticos, entre os quais o HBQuartet, o DuoSensu, com João Paulo Henriques, o DuoSpadari, com Justyna Jarzab, o trio Allegro Giocoso, com Sandra Sá e Giancarlo Mongelli, o projeto interdisciplinar “Uma Sopra Outra Mexe”, com Sara Anjo, e o duo saxINduo, com Nubélia Fernandes. Com estas formações apresentou-se em salas de espetáculo como o Musiekgebouw, em Amesterdão, o Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, e o Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.

Desde 2013 integra a Orquestra de Salão Imperatriz Sissy.

Em 2014 foi convidada pela Orquestra Clássica da Madeira para interpretar, como solista, o Concerto para Saxofone e Orquestra de Cordas, Op. 109, de Alexander Glazunov, sob direção do Maestro Martin André, no âmbito do Festival de Música da Madeira.

Paralelamente à atividade performativa, tem desenvolvido um percurso dedicado ao ensino do saxofone e à formação de jovens músicos. Participa regularmente em festivais, encontros e iniciativas de formação nacionais e internacionais, nomeadamente no Festival Internacional de Saxofones dos Açores (FISA) e no Festival Internacional de Saxofones de Palmela (FISP), mantendo uma ligação permanente às mais recentes abordagens da interpretação e da pedagogia.

Em 2025, foi convidada a integrar o corpo docente do Festival Internacional de Saxofones de Palmela (FISP), onde orientou uma masterclass, integrou o júri do Concurso Internacional e participou como solista convidada num concerto com a Banda Sinfónica do Exército, sob direção do Tenente Renato Tomás. Para esta ocasião convidou a saxofonista Mariana Ornelas para interpretar consigo a obra Orientale, de Marin Loridan, para dois saxofones e banda.

No mesmo festival, participou pela primeira vez, enquanto representante do Conservatório – Escola das Artes da Madeira, com o Ensemble de Saxofones do Polo de Machico, sob a sua direção artística. A participação, promovida no âmbito do trabalho desenvolvido, contou com a colaboração dos docentes Duarte Basílio, Nubélia Fernandes e Mariana Ornelas, e com a direção musical de Nuno Santos, proporcionando aos alunos a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido no Conservatório num importante encontro nacional dedicado ao saxofone. Para esta ocasião foi ainda criada e estreada a obra Da Ilha, do compositor João Caldeira, escrita especificamente para o Ensemble de Saxofones do Polo de Machico.

Nos últimos anos tem assumido um papel cada vez mais ativo na criação, coordenação e direção de projetos artísticos e educativos. Em 2026 fundou a Orquestra de Saxofones do Conservatório – Escola das Artes da Madeira, assumindo a sua direção artística e musical. Após vários meses de preparação, coordenação e mobilização de apoios, conduziu a orquestra, constituída por 30 alunos, ao 11.º Estágio de Saxofones do Dão, proporcionando aos seus alunos uma experiência de formação, intercâmbio artístico e prática de música de conjunto com jovens saxofonistas de diferentes regiões do país.

No mesmo ano assumiu a direção artística dos Dias do Saxofone, 1.ª edição do Estágio de Orquestra de Saxofones na Madeira, promovido pelo Conservatório – Escola das Artes da Madeira, em parceria com a Associação de Jazz da Madeira – Melro Preto. Enquanto diretora artística, foi responsável pela conceção, coordenação e organização integral do projeto, reunindo professores convidados, jovens músicos e parceiros institucionais numa iniciativa dedicada à formação, à criação artística, ao intercâmbio e à valorização do saxofone na Região Autónoma da Madeira.

Atualmente, Ana Irene Rodrigues leciona saxofone no Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng.º Luiz Peter Clode, onde desenvolve também trabalho na área da música de conjunto e acompanha o percurso artístico e pedagógico de jovens saxofonistas. É membro da Associação Portuguesa de Saxofones (APS) e mantém uma atividade regular enquanto intérprete, docente e diretora artística.

O seu percurso caracteriza-se pela articulação entre a prática artística, a pedagogia e a criação de projetos de formação e participação cultural. Através do trabalho desenvolvido com jovens músicos, procura promover a excelência artística, o espírito de colaboração e a partilha de experiências, contribuindo para o desenvolvimento das novas gerações de músicos, para a valorização do saxofone e para o enriquecimento da vida cultural na ilha da Madeira e em Portugal Continental.

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